segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Síndrome do Pânico






"A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.
Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor idéia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida."


Fonte: http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/panico.asp

O transtorno do pânico é um problema sério?
O T.P. já é considerado um problema sério de saúde. Atualmente 2 a 4% da população mundial sofre deste mal, que acomete mais mulheres do que homens em uma proporção de 3 para 1. Há muito que o T.P. deixou de ser um diagnóstico de exclusão. Hoje, mais do que nunca, há necessidade de um diagnóstico de certeza para tal entidade clínica. As pessoas que sofrem deste mal costumam fazer uma verdadeira "via-crucis" a diversos especialistas médicos ("doctor shopping") e após uma quantidade exagerada de exames complementares recebem, muitas vezes, o patético diagnóstico do "nada", o que aumenta sua insegurança e seu desespero. Por vezes esta situação dramática é reduzida a termos evasivos como: estafa, nervosismo, stress, fraqueza emocional ou problema de cabeça. Isto pode criar uma incorreta impressão de que não há um problema de fato e de que não existe tratamento para tal patologia.
O T.P. é real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave. Frequentemente as pessoas procuram um pronto-socorro quando têm a crise de pânico e podem passar desnecessariamente por extensos exames médicos para excluir outras doenças.

Os médicos em geral tentam confortar o paciente em crise de pânico, fazendo-o entender que não está em perigo. Mas estas tentativas podem às vezes piorar as dificuldades do paciente: se o médico usar expressões como "não é nada grave", "é um problema de cabeça" ou "não há nada para se preocupar", isto pode produzir uma impressão incorreta de que não há problema real e de que não existe tratamento ou de que este não é necessário, conforme já comentado.




Qual é a população atingida?

As pessoas que tem o T.P., em sua maioria, são pessoas jovens (faixa etária de 21 a 40 anos), que encontram-se na plenitude de suas vidas profissionais. O perfil da personalidade das pessoas que sofrem do T.P., costuma apresentar aspectos em comum: geralmente são pessoas extremamente produtivas à nível profissional, costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres, são bastantes exigentes consigo mesmos, não convivem bem com erros ou imprevistos, têm tendência a se preocuparem excessivamente com problemas cotidianos, alto nível de criatividade, perfecionismo, excessiva necessidade de estar no controle e de aprovação, auto-expectativas extremamente altas, pensamento rígido, competente e confiável, repressão de alguns ou todos os sentimentos negativos (os mais comuns são, o orgulho e a irritação), tendência a ignorar as necessidades físicas do corpo, entre outras. Essa forma de ser acaba por predispor estas pessoas a situações de stress acentuado, fato este que pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e consequentemente o aparecimento do T.P..

Para as pessoas que não tem, e para as que possam vir a conviver com o problema:



O T.P. não é loucura, nem "frescura". Infelizmente é comum que os distúrbios psíquicos sejam interpretados como simples fraqueza de caráter. O melhor jeito para conviver com uma pessoa que passou pelo T.P., É compreender pelo que a pessoa passa; fazendo com que essa pessoa saiba que você entende o que se passa com ela, isso irá tranquilizá-la, trazendo bem-estar, pois é bem difícil se ter um "ataque", perante uma pessoa ou ambiente que conheça o problema, junto com um "tratamento", preferencialmente, tratado por um psiquiatra. Pois os que sofrem com o transtorno do pânico são ótimas companhias, devido a sua sensibilidade apurada, pois uma experiência ruim algumas vezes frutifica em crescimento interior. E sempre mantenha essa pessoa normalmente convivendo com suas atividades, percebendo as suas limitações e não "forçando nenhuma barra". Aos poucos a vida volta a normalidade.

7 comentários:

Anônimo disse...

Oi.

Navegando na net num site de buscas encontrei esse site e adorei pois aqui voce tem certas informações de forma clara. Não é nada fácil ter Síndrome do Pânico, hoje tenho 24 anos, descobri que sofria de SP aos 15,sempre fui muito medrosa, não fazia coisas bobas de criança, como pular de bico em uma piscina por exemplo de medo; mas meu medo (eu acho que deve ser o pior) é da morte, antigamente se eu ouvisse na televisão que havia um surto de alguma doença, estava eu aqui sentindo todos os sintomas, começou assim e foi piorando. Perdi uma coleguinha de infância quando estava perto dos 15 anos, ela teve tumor na cabeça, pronto isso bastou para que dali em diante eu sentisse tudo, dor no braço, na cabeça etc e tal. Anos passaram e minha avó faleceu, teve um Infarto, dali em diante eu sentia que iria infartar também, fiz todos os exames possíveis e não tinha nada, mas no auge de minhas crises minha pressão subia, meu coração acelerava muito...eu tinha a sensação iminente de morte, nossa era horrível. Então iniciei uma terapia acompanhada de medicamento, durante dois anos mais ou menos, fiquei ótima. Mas hoje aos 24 anos, estou tendo crises de SP novamente, há poucos dias eu sentia dores fortes no peito, estava certa que tinha alguma de errado com meu coração, fiz todos exames novamente e não tenho nada, apenas ansiedade, aí fui em outro médico que comentou comigo, em uma conversa que uma pessoa havia falecido por causa de um AVC, pois desde então estou tendo crises de pontadas na cabeça que parece que vou morrer, não sei se é pq tenho enxaqueca e voltei fazer uso de anticoncepcional, hoje mesmo acordei as cinco da manhã com uma pontada horrível na cabeça. Bem aqui esta meu depoimento, ou melhor um desabafo mesmo. Muitas vezes deixo de VIVER por ter medo de morrer, isso é muito ruim.

Anônimo disse...

Parabéns Danielle!
Meu depoimento é grande por isso vou mandar por e-mail anexado. De uma coisa pode estar certa, eu tenho síndrome do pânico e é muito ruim! Hoje aconteceu novamente quando vínhamos, eu esposa e minha filha da praia. Logo no início da viagem senti que entrar naquele carro não ia dar certo. Comecei a pensar que aquele espaço apertado não era bom. o sinto de segurança passando por mim, amarrado no banco. Fiquei ansioso. Mas... tínhamos que ir embora. Numa viagem de mais ou menos 1 hora e vinte. Era noite, por volta das 19 horas. Entrei no carro chamei o pessoal e fomos. Saindo da estrada vicinal entrei na estrada de rodagem em direção ao Recife. Até antes de entrar no carro pensava, como disse antes, nas conseqüências mas na estrada passou. Rodamos uns 10 minutos e num trecho já escuro meu pescoço enrijeceu, assim... do nada. uma sensação estranha me acometeu como um calafrio (velho conhecido) uma vontade de me safar do sinto de segurança - e isso a uns 80 por hora mais ou menos. comecei a suar, olhei para minha esposa que notou que não estava bem, pois abrira a janela do carro - coisa que raramente faço -, e uma sensação nauseante; um calor, pensei no sinto, estava apertado; e se acontecesse algo como sairia dali minhas vistas queria escurecer, o pânico aumentou. pensei em parar no acostamento e dar o carro para minha esposa e deitar no banco de trás, mas não o fiz. Pensava em Recife que o próximo hospital estava longe e se eu desmaiasse. Senti uma cãibras na perna esquerdo fiquei apavorado, tive a sensação de não sentir a perna, mexi os dedos mas eles estavam lá e fiquei aliviado... olha... horrível. depois de algum tempo foi passando pois avistara umas luzes à frente e era sinal de socorro (tudo isso estava apenas na minha mente), socorro, morrer, desmaio como? Finalmente aos trancos chegamos em Recife e como por encanto as sensações passaram. Essa foi a de hoje. Relatei para minha esposa somente quando chegamos pois tinha medo de dizer no auge da viagem. E isso Doutor, nunca procurei ninguém para contar essas "coisas" acho que tenho medo de dizer e não ser compreendido a começar pelo trabalho. Sou militar da Aeronáutica e não todos que acham esses sintomas parte de um problema, talvez o chamem de "frescura para se esquivar de situação". Muito obrigado e se tiver um tempinho leia meu anexo.

Vanessa disse...

Jamais esquecerei do dia 22/03/2002 Eu descobri que tinha síndrome do pânico ha 3 anos, quando meu mundo já tinha desmoronado e eu já tinha perdido tudo....eu estava na Universidade quando comecei a ter a crise e com ela todos os medos e angustias...fiquei hospitalizada por 15 dias....ao sair de lá fiquei mais 2 meses sem sair de casa....comecei minha psicoterapia e psicofarmacoterapia e com estes toda minha progressão, agradeço a Deus pela força, hj 3 anos depois sou formada,tenho opinião própria e ainda luto para um dia ser livre de remédios...mas eu nunca desisti e jamais deixei q ninguém me derrubasse e tb luto para ajudar a todas as pessoas a passarem por esta etapa com força.....eu acredito em vc!

Obrigada! Pensei que não fosse aceitar minha postagem!

Renata Guedes disse...

Tenho 33 anos e vivo uma relação estável com um homem 14 anos mais velho. Sempre fui muito bem resolvida e independente em tudo e nunca achei que algum dia tivesse algum problema emocional principalmente SP. No começo era apenas ansiedade. Sentia que eram quedas de pressão e uns descompassos no coração, mas não me preocupava com isso. Em outubro de 2004 tive uma crise após tomar um medicamento para dor de cabeça. Senti uma sensação horrível de desconforto e taquicardia ao mesmo tempo, meus braços adormeceram e fiquei desesperada no meio da rua. Pedi ajuda à uma mulher, que me levou ao Pronto Socorro. Passei algumas horas no ambulatório com muita sonolência, após ser medicada com Dipirona. Até aí, não tinha a menor idéia de que era SP. Há cerca de um mês tive outra crise, após tomar um comprimido de Anador, pois estava com cólica menstrual. De repente, eu estava totalmente distraída em uma loja, fazendo um pagamento para a empresa que trabalho e comecei a sentir algo gelado subindo pela coluna e pressionando a nuca e a cabeça. Fiquei branca e com as mãos geladas. Fui até uma farmácia, medi a pressão e estava 14x8. Fiquei desesperada e fui socorrida novamente. Dessa vez foi muito pior, pois achava mesmo que estava tendo um infarto e que não daria tempo de ser socorrida, minha boca secou, entrei no hospital correndo, descalça e gritando por ajuda. Imaginando a cena depois, fiquei com muita vergonha, o que me levou a achar que, realmente, eu tinha problemas e deveria procurar ajuda. Hoje estou tomando anti-depressivos (Cebrilin e Amytril), ansiolítico (Equilid) e um beta-bloqueador (Sotacor). Mesmo tomando os medicamentos, ainda tive mais uma crise de ter que ser levada ao hospital. Ainda tenho os sintomas quando insisto em pensamentos desagradáveis, como, por exemplo, a morte ou uma catástrofe. Fico muito tensa e tenho dores latejantes na nuca. Fiz todos os exames desde Holter 24h até tomografia da cabeça e está tudo normal. Vou começar a fazer psicoterapia ainda este mês e espero ficar boa logo.
Um beijo sempre acompanho seu blog.

Fatima Meirelles disse...

Nestes últimos anos, é que senti que, o medo de andar nas ruas de XX, que gostava tanto, a cervejinha e o café que eu não conseguia tomar mais, sozinho, tinham causas que eu não intui, senti, na época, (ou seja a partir de 1980). XX é terra da Psiquiatria-porrada, ou seja, procura-se despertar ainda mais, a "agressividade" do cliente, quando o contrário, "acalmá-lo, Encorajá-lo" seria o ideal. Meu ultimo Psiquiatra figurão de TV de capital, nunca foi com minha cara, como eu não fui com a dele. Resultado, 6 sessões mensais de pura luta de boxe verbal. com receitas de Cipramil, bom no inicio, e a continuação do Lorax. Poxa, gente, ficar sem dirigir, ter medo de viajar de ônibus sozinho, polemizar muito, tb. doem. Procuro uma mão amiga, já que não a tenho em casa.

Não deixe de postar mais por favor Danielle. Um beijão

Anônimo disse...

Bom, meu nome é V., tenho 22 anos e tenho Síndrome do Pânico a mais ou menos 4 anos. Minha primeira crise foi fazendo o q eu mais gostava de fazer: malhando! Comecei a ficar tonto, deu aquele calafrio, coração disparou, às pernas ficaram moles.....ate então não sabia o q era! Assustado, o dono me levou ao hospital e chegando la foi feito todos os exames q poderiam ser feitos, (como acontece com todo mundo) e nada! Fui p/ casa, não conseguia me mexer...fiquei em estado de choque! Bom, no dia seguinte, parecia q nada havia acontecido e era o dia q eu viajaria p/ carnaval! Viajei e nada aconteceu, até q no segundo dia a crise voltou....novamente fui parar no hospital...sempre os medicos perguntando: tomou alguma droga??...sempre era a primeira pergunta....aí me davam diazepam na veia e de nada adiantava pq eu não conseguia relaxar, e para completar ,carnaval todos meus amigos bêbados me largaram no hospital e esqueceram de me buscar. Estava eu em Espírito Santo no hospital sem telefone de ninguém da casa e morrendo de medo de andar e meu coração disparar e ter outro ataque cardíaco (é o q eu achava q estava acontecendo). Bom, 1 ano se passou e nenhum medico descobria o q eu tinha...em quanto eu fazia exames e todos não apresentam nada, mais doenças apareciam! (na minha cabeça) tive problema de coração, asma, hipertensão, diabetes e ate HIV eu já achei q tivesse. Depois de 1 ano...no ano novo em Cabo Frio, mais uma crise...no meio dos fogos, todo mundo olhando p/ cima, pensei: se eu passar mal aqui ninguém vai me ver, vão achar q é so emoção....não vai dar tempo de chegar ao hospital...PRONTO! mais uma crise...chegando no hospital o mesmo procedimento: usou drogas??.."não!!...então toma Diazepam! Até q uma ENFERMEIRA vendo meu estado me parou e disse: Você já foi a algum psiquiatra? como todos respondem: eu não..não sou maluco! Aí ela disse vai sim...vc esta com Síndrome do Pânico! Demorei mto p/ acreditar nisso...foram mais umas 4 crises ate eu ir! Chegando no consultório vi um folheto com algumas doenças...ate achar a SP!! Pronto!!Achei o q eu tinha! Resumindo....quero dizer a todos q sei como é ruim sentir isso, também sei o conforto q da vc ler um depoimento e ver q tem pessoas q sentem a mesma coisa...e q vc não tem doença nenhuma! Ultimamente minhas crises voltaram, e esta tão forte q quando vou ao medico minha pressão esta sempre alta! Aí já viu...to com hipertensão!(rs) Mas estando aqui nesse site e lendo os depoimentos, vi q tem mtas outras pessoas q tb tiveram esse sintoma....isso me tranqüilizou...me confortou!!Espero q esse depoimento ajude mtas pessoas q estejam no meio de uma crise como alguns aqui me ajudaram!

byClaudioCHS disse...

Medo…
Vontade de dar um grito,
ou calar-se para sempre
De ficar parado, ou correr
De não ter existido
ou deixar de existir (morrer)
Não há razão quando a mente não funciona
(redundante, não?)
Vão extinguindo-se as questões
mesmo sem respostas
Perde-se, neste estágio,
a vontade de saber.
O futuro é como o presente:
É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
Morreu a curiosidade
Morreu o sabor
Morreu o paladar
parece que a vida está vencida
Tenho medo de não ter mais medo.
Queria encontrar minhas convicções…
Deus está em um lugar firme, inabalável,
não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
Até porque, na verdade, confio nele
O problema é que já não confio em mim mesmo
Não existe equilíbrio para mentes sem governo
A química disfarça, retarda a degradação
mas não cura a mente completamente
E não existem, em Deus, obrigações:
já nos deu a vida, o que não é pouco,
a chuva, o ar, os dias e noites
Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
já que seremos vencidos pelo tempo
(este é o destino dos homens)
e seremos ceifados num dia que não sabemos
num instante que mira nossa vida
e corre rápido ao nosso encontro lentamente
(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
Sei lá…
Mas não sei se quero estar aqui
para assistir o meu fim
Queria estar enclausurado, escondido…
As amizades que restam vão se extinguindo
e os que insistem na proximidade
são os mesmos que insistirão na distância,
o máximo de distância possível.
A vida continua o seu ciclo
É necessário bom senso
não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
Eu disse bom senso?
Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
nem princípios, nem razão, nem discernimento,
nem força alguma
Torna-se um alvo fácil
condenável pelos que estão em são juízo
E questionam: onde está sua fé?
e respondo: ela estava aqui agora mesmo…
ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim…
o problema é que, quando a mente está sem governo
(falo de um homem enfermo)
é como um caminhão que perde o freio
descendo a serra do mar…
perde-se o contato com a fé e com tudo o que há…
e por alguns instantes (angustiantes)
não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão…
ah… quem dera, quem dera…
que a mão de Deus me sustente neste instante…
em que viver é tão ou mais difícil que conjulgar todos os verbos…
porque sou, neste momento
a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo…
tenho medo, medo…
medo de perder o medo
de sair da vida pela porta de saída…
medo de perder o medo
de apertar o botão “Desliga”…

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

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