quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PODEMOS DAR CERTO? COMO O MEDO E A VERGONHA NOS UNEM?


“Nós nos acalmamos”

Lembre-se de como teve início seu relacionamento.
Quantas mulheres se apaixonariam por um homem se ele deixasse claro que teria de aprovar todos os seus gastos pessoais? Pareceria tão maravilhoso se ele lhe dissesse que depois de se casarem ele esperava sair com os amigos toda noite, quer você ficasse sozinha ou não, ou que ele aprovava o fato de seu pai bater na sua mãe de vez em quando? Você se apaixona porque no fundo acredita que ele será generoso - pelo menos financeiramente -, atencioso, companheiro e que ele nem sonharia em ferir seus sentimentos ou seu corpo. Quantos homens se apaixonariam por uma mulher se achassem que ela os considera: uns fracassados, preguiçosos ou covardes?
Um homem precisa acreditar que sua parceira ficará feliz com seu sucesso, que ele pode lhe dar satisfação sexual e que ela se sente segura sob sua proteção. É assim para a maioria dos casais.

Ele acalma a ansiedade dela e ela acalma a vergonha dele, simultaneamente, um faz com que o outro se sinta importante e valioso. Essa compaixão e esse companheirismo são a base da conexão.
Como nos separamos: a ansiedade dela leva à vergonha dele e a vergonha dele provoca a ansiedade dela.


No final do primeiro ano de casamento, Marcos começou a entender os pedidos absolutamente normais de Marlene para ter mais proximidade, como: «O modo como você demonstra amor não é suficiente." Ele, então, passou a adotar um comportamento de fuga típico da vergonha - distração, afastamento, controle, crítica ou brigas. É claro que isso só aumentou o medo de Marlene da agressão, do isolamento e da privação. Esse padrão é tão comum que você deve conhecer alguns casais que tiveram a seguinte experiência no carro. A mulher fica assustada com um barulho repentino ou algo que ela vê na estrada.

O homem interpreta a reação involuntária dela como uma crítica ao modo como ele dirige.




Ele fica irritado e dirige com mais agressividade; ela se mostra mais nervosa. Eles discutem cada um achando que o outro é insensível, não tem consideração e é imaturo. Da mesma forma, muitos homens ficam incomodados com a ansiedade sutil de suas esposas ou namoradas, quando eles andam juntos por um lugar escuro e isolado à noite. Eles vêem o medo como uma crítica a sua capacidade protetora. «Está preocupada com o quê? Eu estou aqui para cuidar de você!" Com o tempo, eles começam a rejeitar a ansiedade de suas esposas para se protegerem da vergonha. Como conseqüência, os dois se sentem mais isolados no relacionamento. Há outro motivo para termos dificuldade em perceber as vulnerabilidades emocionais do sexo oposto. Os pesquisadores observaram que a criação das meninas as ensina a serem Aristóteles disse que a única virtude é a moderação, e isso não podia estar mais certo quando se trata do medo e da vergonha. Moderar nossas vulnerabilidades básicas é muito bom. Podemos nos divertir mais numa festa se não ficarmos pensando na possibilidade iminente de que um terremoto vá destruir o prédio ou alimentando a suspeita de que uma ex amante esteja contando a todos sobre sua ejaculação precoce.
Um leve receio da privação pode nos ajudar a gostar de fazer compras, e

um receio da vergonha pode nos fazer estudar mais para uma prova. Já o pavor pode nos levar a tentar evitar qualquer privação comprando demais, comendo demais, qualquer coisa demais. Pavor de isolamento nos faz grudar-nos outros, bajular, exagerar na submissão, tolerar maldades ou abusos e perder a nossa individualidade. O exagero na tentativa de sufocar o medo de nos ferir pode inibir o crescimento, a criatividade, a ambição e o estabelecimento de metas, e nos tornar conservadores, tímidos e ansiosos demais. Há pessoas que exige jóias, roupas caras ou férias exóticas como compensação pelo afastamento ou pela distração dos parceiros. No nosso trabalho, encontramos pessoas que afirmam: "Bem, pelo menos consegui uma nova jóia com isso." Não se deve julgá-las apressadamente por seu "materialismo': Elas só estão tentando afastar o medo do isolamento (se ele gasta muito, deve gostar mesmo de mim) e da privação (se eu tiver mais, não vou sentir falta de nada). É claro que isso não funciona. A única proteção real contra danos e solidão é a conexão íntima. Chega a ser surpreendente o número de mulheres que para fugir do medo aceitam manter relações agressivas. Seria sensato pensar que o instinto de evitar o medo funcionaria como uma proteção, nesses casos, fazendo-as se afastarem desses homens. Há dois motivos importantes para que o contrário aconteça. Um é que o risco aumenta muito quando uma mulher deixa um homem violento. Elas sofrem até ameaças de morte se ousar partir. O outro motivo - e isso pode ser chocante - é que para a maioria dessas mulheres a agressividade e a dominação eram uma promessa de proteção, no início do relacionamento. Depois que começam os espancamentos e o senso de realidade delas se deteriora, elas se sentem, embora seja perigoso, protegidas dos perigos externos.




O medo do isolamento e da privação pode ajudá-las – as mulheres têm uma probabilidade maior de deixar esses relacionamentos quando elas têm alguém com recursos suficientes a quem elas possam recorrer em busca de segurança.
Evitar a vergonha também pode manter um homem em um relacionamento com uma mulher que constantemente o critica e o censura. Você deve conhecer relacionamentos em que as pessoas se perguntam: "Por que ele a agüenta?" É tão difícil entender por que um homem maravilhoso e competente tolera as queixas e o desprezo constantes da mulher. Eis aqui o motivo: a idéia de fracassar no relacionamento e a perspectiva de outro homem que a faça feliz - quando ele não pode fazê-la feliz - paralisam-no de vergonha e o mantém preso no relacionamento abusivo. No aspecto mais sombrio, evitar excessivamente a vergonha pode nos tornar agressivos, narcisistas e nos deixar com mania de grandeza (exagerando sobre nossa aparência, nossos talentos e habilidades). Também pode fazer com que nos sintamos superiores, insolentes e autoritários. Pode nos levar ao afastamento, à rejeição, à frieza e à insensibilidade. Pode tornar o orgulho mais importante do que o amor e permitir a "humilhação" para justificar o assassinato, o terrorismo e a guerra. Felizmente não precisamos conviver com o pior do medo e da vergonha. Na verdade, podemos aprender a usá-los para melhorar nossas relações e, com isso, tornar o mundo um lugar melhor. A questão que queremos ressaltar é que a dinâmica medo-vergonha opera tão distante da consciência que é quase impossível desarmá-la apenas conversando sobre ela! A conexão que queremos deve ir além das palavras. Um motivo para ser pouco eficiente discutir a relação é que o medo e a vergonha os impedem de ouvir um ao outro, apesar do quanto se procura "entender" ou "refletir". O pré-requisito para ouvir é se sentir seguro, e é difícil se sentir assim quando a ameaça de medo ou vergonha paira sobre sua cabeça. A situação é tão apavorante que o sistema límbico, a parte do cérebro encarregada de sua segurança, atropela qualquer forma de pensamento racional. Quase tudo o que você ouve só serve para despertar medo ou vergonha.



Num episódio de uma tirinha famosa (Par Side) aparece um homem que conversa com uma cachorra chamada Ginger. Um balão trazia o que o homem dizia e o outro o que o animal ouvia. O homem falava muito, mas só o que a cachorrinha ouvia era isso:
- Blablablá, Ginger. Blablablá, Ginger. Blablablá, Ginger.
A não ser que uma mulher esteja emocionalmente conectada ao parceiro, é mais ou menos isso o que ele vai ouvir quando ela falar com ele:
- Blablablá, fracasso. Blablablá, não é suficiente.
Blablablá, não serve para nada. Blablablá, inútil.



A não ser que um homem esteja em sintonia com a parceira de uma forma que ela se sinta segura, isto é o que ela vai ouvir quando ele a criticar, independentemente de ele ter
"razão":
- Blablablá, eu não amo você. Blablablá, eu não estou nem aí para você. Blablablá, eu posso até te machucar. E quando ele a ignora ou se faz de surdo, ela ouve o verdadeiro som do silêncio. ____ "eu não amo você. , eu não estou nem aí para você. , eu posso até te machucar.
O melhor ainda está por vir Há uma mensagem bem diferente, para além das palavras, que percorre um lugar mais profundo do que aquele em que se encontra a dinâmica medo-vergonha. Embora sejam poderosos e penetrantes, o medo e a vergonha não são o que há de mais profundo nem mais importante em você. Mais no fundo está sua parcela compassiva e amorosa que era tão ativa na sua infância e quando vocês se apaixonaram. Ela ainda está lá, embora possa estar escondida sob o ressentimento que os faz brigar e o medo e a vergonha que os deixam ressentidos.
Entendendo isso, permitindo isso... verá que vocês podem resgatar o mais precioso sentimento, o amor. E nenhuma das fugas devido ao medo e a vergonha é a saída. Tudo isso precisa de um “EU QUERO” “EU AMO” “EU POSSO” “EU QUERO VIVER ESSE AMOR E SEM VERGONHA E SEM MEDO DE MOSTRAR O QUANTO SOMOS FELIZES APESAR DOS PESARES.”

Um comentário:

Lih! disse...

Muito bom o texto!
:*